Correr, nadar, andar de bicicleta, saltar…
Muitas pessoas treinam com regularidade e não admitem passar um dia sem sentirem o prazer provocado pelo desporto. No entanto, há uma fronteira que às vezes é ultrapassada, mais concretamente quando se entra na vigorexia, uma das mais recentes patologias emocionais estimuladas pela cultura ocidental.
A fronteira entre o desporto saudável e nocivo é para muitas pessoas uma linha extremamente ténue, tudo porque vivemos uma época impar na nossa sociedade, defende Vitor Sérgio Ferreira, do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa. 0 sociólogo refere que o culto da imagem se tornou numa ‘religião’ e esse culto faz com que muitos procurem na prática do desporto um caminho para a realização pessoal e social. «A grande diversidade de práticas em que se empenham presentemente cada vezlightview” href=”http://www.desportoesaude.com/wp-content/uploads/2009/02/treinos.jpg”>
mais indivíduos com o objectivo de actuar com o corpo e sobre o corpo traduz uma dinâmica social de sobreinvestimento corporal que não encontra paralelo no passado. Muitos descrevem este fenómeno como um novo culto, num tempo em que as figuras celebradas tendem não a ser homens ou mulheres modelos de pureza ou de virtude, mas portadores de corpos ideais, corpos de sonho associados a vidas de sucesso e celebridade».
A escravização do corpo pode provocar sequelas marcantes em alguns praticantes.
E essa entrega total ao desporto, a escravização do corpo, pode provocar sequelas marcantes em alguns praticantes que não sabem parar no momento certo. Inicialmente, a actividade física proporciona prazer e relaxamento, fazendo com que as pessoas se sintam mais saudáveis. Isso acontece porque o nosso corpo, quando treinamos, liberta substâncias químicas no nosso cérebro, que recebe mensagens de prazer e bem-estar. É por isso que, quando treinamos com regularidade, ficamos irritados ou afectados psicologicamente quando falhamos um ou alguns treinos, como admite Tiago Dionísio, 33 anos, analista financeiro. Corredor de maratonas (concluiu a sua primeira aos 20 anos) e ultra-maratonas (26 anos, 88 km entre Londres e Brighton), o atleta do Clube do Stress confessa que o desporto não deixa de ser «um vício, uma droga». «0 desporto é claramente uma necessidade na minha vida. É importante porque permite um certo equilíbrio e controlo do stress no dia a dia. Não diria que me vou psicologicamente abaixo se falho um treino, mas admito que fico menos bem disposto se fico vários dias seguidos sem treinar. Como qualquer vício, é preciso saber parar, o que nem sempre é fácil.»
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