Ajuda a estimular a linguagem das crianças

Comemora-se no próximo dia 6 de Março o Dia Europeu da Terapia da Fala, que tem como principal objectivo a divulgação desta actividade junto da população, principalmente dos pais e dos professores, para que estes fiquem atentos ao desenvolvimento da lingua­gem da criança e aceitem o facto de os filhos poderem precisar de ajuda para desenvolver esta competência. “A aquisição da linguagem passa por diferentes etapas. Normalmente as crianças começam a falar com um ano e meio de idade, no entanto, algumas só desenvolvem a linguagem mais tarde”, explica Ana Mafalda Filipe, terapeuta da fala do Projecto Crescer & Aprender, que realiza consultas de avaliação psicológica, reeducação da dislexia e psicoterapia de apoio em Paço de Arcos, a preços proporcionais aos rendimentos do agregado familiar (www.projectocresceraprender.blogspot.com). Normalmente cabe ao pediatra ou ao médico de família encaminhar as crian­ças para alightview” href=”http://www.desportoesaude.com/wp-content/uploads/2009/02/terapiadafala.jpg”>terapia da fala terapia da fala, no entanto, existem alguns sinais de alerta a que os pais devem estar atentos. “Numa pri­meira fase é importante ter em atenção eventuais atrasos de linguagem logo a partir dos seis meses de vida, altura em que os bebés devem começar a com­preender algumas ordens simples e a emitir sons. Depois, aos dois anos de idade é importante verificar se a crian­ça se consegue exprimir através de palavras e não apenas de gestos. Por fim, aos três anos podem surgir outros sinais de alerta tais como a dificuldade em produzir frases completas ou em compreender ordens e pedidos. Quan­do por volta dos quatro anos de idade as crianças manifestam problemas de articulação, não conseguindo repro­duzir os sons correctamente, é porque alguma coisa não está bem”, adianta Ana Mafalda Filipe, que considera que o diagnóstico precoce é fundamental.

“A aquisição da linguagem passa por diferentes etapas”

“A consulta de desenvolvimento serve para o diagnóstico/despiste precoce das alterações de desenvolvimento não só na área da linguagem/fala, mas também outras alterações, sendo que os tratamentos ou orientações dadas aumentam a possibilidade da me­lhoria dessa alteração e/ou permitem contornar o défice”, explica índia Re­médios, fisiatra e Directora do Serviço de Medicina Física e de Reabilitação do Hospital Garcia de Orta, em Almada. O plano terapêutico é traçado após uma primeira avaliação da criança e normal­mente passa por “uma série de consul­tas com cerca de 45 minutos cada, em que o terapeuta trabalha com a criança sobretudo através de jogos, o que faz com que esta seja bastante receptiva a terapia”, esclarece Ana Mafalda Fili­pe, frisando que não se pode afirmar com certeza a partir de que altura é que os primeiros resultados começam a surgir, uma ideia partilhada por ín­dia Remédios, que acrescenta que “o aparecimento de resultados varia bas­tante, consoante a gravidade da per­turbação”. Se aos dois anos de idade o seu filho ainda não falar correctamente não entre em pânico, opte por desen­volver actividades e comportamentos que favoreçam o seu desenvolvimento da compreensão verbal, podendo para isso procurar a ajuda de um terapeuta, que numa fase de intervenção precoce o poderá aconselhar sobre a melhor forma de interagir com o seu filho. Inicialmente os pais devem associar o gesto à fala nas pequenas expressões do quotidiano, tais como “adeus”, “dá cá” ou “vem cá”. Depois, podem ir dando nomes às coisas que rodeiam a criança, separando tudo por categorias, de forma a aumentar o seu vocabulá­rio. Enquanto a veste ou lhe dá banho pode ir identificando as partes do cor­po, quando a está a vestir ou a despir identifique as peças de roupa, durante as refeições fale-lhe de cada um dos alimentos que tem no prato e assim sucessivamente ao longo de todo o dia. Existem várias atitudes comunicativas que os pais podem ter no sentido de contribuir para a evolução dos filhos em relação à linguagem, mas por vezes, mesmo quando acham que estão a ajudar a criança, as suas posturas têm precisamente o efeito contrário. Daí ser muito importante “o apoio e a orientação de um terapeuta da fala”, diz a fisiatra do Hospital Garcia de Orta. O ideal é que os pais falem com a crianças devagar, de frente para elas e que por vezes façam de conta que não a percebem, para que ela reformule o seu discurso de maneira a fazer-se entender. Um dos principais erros que os pais cometem é dar respostas pelos filhos sempre que depois de uma pergunta eles demoram a responder. No entanto, o ideal é que seja a criança a tomar a iniciativa de resposta e que os pais elogiem o seu esforço em comunicar. É também aconselhado que os
pais não infantilizem a fala, repetindo cada palavra correctamente, sempre que a criança a pronuncie mal sem no entanto a obrigar a repetir. Quando em último caso a criança tem de frequentar a terapia da fala a família continua a desempenhar um papel extremamente importante, devendo dar continuidade ao trabalho do terapeuta no sentido de estimular e de desenvolver a linguagem da criança.

 Terapia da fala

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