Cansaço, sonolência, falta de apetite, problemas de concentração, irritabilidade e insónias são apenas alguns dos sintomas identificados pela Sociedade Espanhola de Medicina da Família e Comunitária (SEMFC), associados à síndrome pós-férias, que nesta altura do ano afecta muitas pessoas. Trata-se de uma situação indutora de stress e não de uma doença. ‘Todo o ser humano sofre da síndrome pós-férias, que no fundo é uma versão mais alargada da depressão de Domingo à noite, ou seja, da sensação mais ou menos desagradável de termos de voltar ao trabalho após um período de descanso”, explica a psicoterapeuta Madalena lobo. Esta é uma situação gerada pela alteração de ritmos biológicos, nomeadamente do ponto de vista do sono. “O stress prende-se basicamente com uma adaptação por parte do nosso organismo, seja ela boa ou má. Há muitas pessoas que quando entram de férias adoecem, porque demoram a adaptar-se ao novo ritmo fisiológico”, explica Madalena lobo. Quando depois de um período de pausa e de descontracção, as pessoas se vêem obrigadas a regressar à sua rotina laboral que a maior parte das vezes está associada a uma série de outras rotinas, é natural que isso desencadeie um estado de ansiedade.
“Durante as férias as pessoas aproveitam para se desligarem dos problemas do trabalho e d
o quotidiano, mas à medida que o tempo de recomeçar se aproxima, é evidente que a ansiedade aumenta, principalmente quando os problemas não ficaram resolvidos, mas apenas adiados”, adianta a actual presidente da associação Portuguesa de Psicoterapia Centrada na Pessoa e de Counselting, Odete Nunes. “Para tornar o regresso ao trabalho menos penoso é importante que as pessoas aproveitem algum tempo das suas férias para descansar física e psicologicamente. Não há receitas milagrosas e universais em relação a este assunto, mas se as pessoas conseguirem encontrar um equilíbrio entre a actividade e o repouso, recarregam muito melhor as baterias e enfrentam de uma maneira bem mais tranquila o momento de regressar ao trabalho”, salienta a também Directora-adjunta do Departamento de Psicologia e Sociologia (DPS) da Universidade Autónoma de Lisboa (UAL). A adaptação ao regresso ao trabalho é tanto mais complicada, quanto maior for o período de férias, por isso, defende Madalena lobo, é extremamente importante que a adaptação seja feita de uma forma progressiva. “Para combatermos a síndrome pós-férias devemos
começar por perceber que quanto maior for o fosso entre o momento presente e o momento futuro, pior é a adaptação, portanto, comem que se passe de um momento para o outro de uma forma o mais suave possível”, aconselha a psicoterapeuta. “Se em férias a pessoa está habituada a levantar-se por volta das 10 horas da manhã e em tempo laboral por volta das 7h30m, o Ideal é que uns dias antes de terminar as férias comece progressivamente a levantar-se mais cedo, sendo que também deve começar a deitar-se mais cedo, para desta forma fazer uma abordagem gradual à exigência que vai fazer ao seu organismo quando começar a trabalhar”. É ainda importante começar a estruturar mentalmente as rotinas, arrumando e planeando algumas coisas, aproximando-se daquilo que vai ser o seu ritmo diário. Esta síndrome, no entanto, não dura muito tempo. Regra geral não se prolonga por mais do que duas semanas, sendo ultrapassada naturalmente e sem recurso a ajuda especializada, contudo, se os sintomas persistirem após este período é aconselhável consultar um médico, para despistar outras patologias.


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