PREVENÇÃO Em Maio comemora-se o Mês do Coração. Fernando Pádua, Prêmio Nacional de Saúde em 2007, falou ao SEXTA sobre uma carreira dedicada à prevenção e promoção de um estilo de vida saudável
São mais de 50 anos a difundir ensinamentos para manter a saúde do coração. Fernando Pádua é um dos mais conceituados cardiologistas portugueses e um dos maiores lutadores pela sua causa. «A minha paixão não era a Medicina. Adorava estudar e gostava muito de Engenharia, mas acabei por candidatar-me para Medicina e entrei», conta. Perdeu-se um engenheiro, ganhou-se um notável médico.
Desde cedo que Fernando Pádua se dedica a «promover uma vida de qualidade junto da população portuguesa». A primeira batalha travou-a em 1972, «na primeira luta pública conta a hipertensão arterial». «Foi especial. Ao fim de 30 anos. o Governo fez um plano nacional de saúde, mas naquela altura era a comunicação social quem mais ajudava.» O cardiologista lembra os primeiros dez anos de campanhas como «espectaculares». «Só havia um canal de televisão, logo toda a gente ouvia a nossa mensagem», refere.
Foi professor catedrático durante 30 anos, na Universidade de Lisboa. Enquanto presidente da Sociedade Portuguesa de Cardiologia, constituiu a Fundação Portuguesa de Cardiologia, em 19~9. Mas foi em 1986 que entrou para um cargo que ainda hoje ocupa. É presidente do Instituto Nacional de Cardiologia Preventiva e «é para continuar enquanto cá estiver».
O importante é que a mensagem seja percebida. «Os portugueses não se tratam, não
querem saber da prevenção. Só depois de terem problemas é que se lembram de fazer dieta», refere o professor. A preguiça, a gordura e o tabaco são as principais falhas, segundo Fernando Pádua. «Preguiçosos e gordos somos todos. Eu também cometo alguns pecados», confessa. Contudo, é a «geração sub-20» que o preocupa mais. «Os adultos fazem exames, os jovens nem pensam nisso.»
Fez do Hospital Santa Maria a sua segunda casa durante 45 anos. Nunca trabalhou noutro. E quando se reformou continuou a fazer aquilo que melhor sabe. A provar que as novas tecnologias não atormentam os seus 80 anos, criou o blogue Súbito Impulso, onde se pode encontrar toda a informação da área da Saúde. «Tenho necessidade de dizer às pessoas o que devem fazer. Como não tenho uma rádio nem uma televisão, encontrei esta forma de passar a mensagem.»
Fonte: Sexta-Feira
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