Sº Jorge

Nas veredas das Fajã

Chove fortemente e, paro lá do Canal de S. Jorge, a ilha do Pico desapareceu. Dir-se-ia que o cenário ficou metalizado. A chuva forte tornou-se rapidamente num chuvisco persistente e os primeiros raios solares não tardaram a aparecer. Só então a montanha do Pico surgiu enorme, negra, limpa de nuvens e incrivelmente perto.

Seguindo o caminho para sudeste da igreja da Fajã dos Vimes, o tra­jecto vira à esquerda, no cruzamen­to junto a linha de água, e à direita, depois de passar um chafariz. 0 carreiro passa pelo cemitério e con­tinua ao longo da costa, transpondo a Ribeira dos Bodes, até à Fajã do Além. Nas cartas topográficas é designada “Fajã dos Bodes”, mas os habitantes não apreciam a deno­minação. Depois das últimas casas da fajã, o percurso atravessa a Ribeira do Cavalete. Daí em diante, o caminho empina-se, por vezes de forma acentuada, para superar a que­brada. As arribas são cortadas por vales encaixados, onde se formam diversas quedas de água de grande beleza. A montanha do Pico, do outro lado do Canal de S. Jorge, acompanha o caminhante na sua viagem rumo a sul. Vencida boa parte da subida irá surgir um cruza­mento, após um prado, onde será necessário virar à esquerda. Mais à frente surgem algumas casas de lavoura e um poço onde o trajecto vira à direita, tomando o caminho que conduz à Ermida do Loural (500 m). Essa ermida é o ponto de partida para a descida até à Fajã de S. João. Descida que se inicia por uma estrada de saibro que serpenteia por entre as casas dos Lourais. A estrada finaliza, onde se encontra um toro de sinali­zação com risca vermelha, formando como que um pequeno largo. É altura de continuar pelo trilho, estreito e pedregoso, situado em frente. A trilha curva, pouco depois, à esquerda, surgindo uma admirável queda de água. Volta a curvar, agora à direita, e passa sobre a linha de água numa ponte de toros de madei­ra cobertos por terra. A ponte é um excelente local para observar os pe­gões existentes na base da cascata. O trajecto rodeia o relevo para, mais à frente, entrar noutro vale muito entalhado de onde já se vislumbra a Fajã de S. João. As casas de lavoura, nas imediações de socalcos onde predominam os milheirais, são frequentes ao longo da descida. As janelas de três gui­lhotinas e as burras com maçarocas de milho merecem um especial des­taque. Estas rústicas casinhotas de pedra são ocupadas apenas dois ou três meses por ano: durante o In­verno (para o cultivo do feijão e/ou da batata) e em Setembro/Outubro (para a feitura do vinho). Uma curva pronunciada, para a direita, faz com que caminho siga em direcção a nordeste (no sentido oposto àquele em que se situa a Fajã de S. João). Lá ao fundo para as bandas do norte surge uma pontinha da Calheta. Mas esse curto troço, que desce frente ao Pico, vol­ta ao rumo certo, após uma curva para a esquerda. O trajecto perde altitude rapidamente, surgindo cada vez mais vinhas, e a rebentação do mar na praia de calhaus parece en­ganosamente ao “alcance da mão”. S. João já está perto, mas antes ainda irá surgir um grandioso vale à esquerda. Nesse local existe um socalco, de cujo muro brotam di­versos fios de água, onde abundam os inhames. Antes da ponte que atravessa o ribeiro encontra-se um moinho de água à esquerda do ca­minho. Passada a ponte, o caminho curva à direita, junto de uma casa com ar senhorial, e, pouco depois, entra em S. João. A Igreja de S. João (séc. XIX), onde se destaca um conjunto de azulejos representando Cristo crucificado rodeado de anjos, marca o final do itinerário. Ao lado situa-se um fontanário (de 1896), no qual o caminhante se poderá re­frescar. A “ilha montanha”, que se­guiu atentamente todo o percurso, proporciona agora a panorâmica ideal ao descanso merecido.

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FICHA TÉCNICA

♦ Localização: no lado sul da ilha de S. Jorge

♦ Acessos: o percurso inicia-se na Ermida da Fajã dos Vimes

♦ Desenvolvimento: 9.3 km

♦ Horário: 3 a 4 h

♦ Dificuldade: Acessível

♦ Época aconselhada: todo o ano

♦ Cartografia: cartas topográficas do Instituto Geográfico do Exército (IGeoE), na escala de 1/25 000, n° A18 e A20

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