No trilho do tesouro

Têm espírito de aventura, paixão por enigmas, mapas e coordenadas – há cada vez mais portugueses rendidos ao geocaching

 

Têm o GPS preparado?» Quem pergunta é o geólogo Paulo Henriques, 38 anos, num tomimage thumb14 No trilho do tesouro desafiador, antes de dar início a mais uma caminhada ao longo das praias da zona da Ericeira. E o terceiro ano em que organiza o Event Cache, um convívio que reúne adeptos de geocaching – um jogo ao ar livre que está a entusiasmar cada vez mais portugueses.

O calor que se faz sentir a meio da tarde parece não incomodar as 15 pessoas que, vindas de todo o País, mochilas às costas e GPS nas mãos, se aventuram na procura de caches (caixas de plástico que outros jo­gadores esconderam, contendo objectos e um livro de registo). Na praia da Empa, o grupo debate-se com o vento, na busca da primeira cache, próximo do Forte de Milreu. Atentos às coordenadas indicadas no GPS, previamente retiradas do site ofi­cial, as pedras são remexidas à procura da caixa que ali foi escondida, em 2004. Tem a designação poética de A View to the West e o jogador que a encontrar trocará os ob­jectos escondidos no interior, assinará o livro e voltará a escondê-la.

Neste percurso de subidas acentuadas, estavam escondidas seis caches: quatroimage thumb15 No trilho do tesouro tradicionais, uma multi-cache (que revela pistas para a próxima) e uma earthcache (património natural que oculta um enig­ma). Cinco foram escondidas por Paulo e contam uma história sobre a região.

Foi em 2003 que este dinamizador do geocaching contactou com o jogo, quan­do procurava, na internet, informação sobre GPS. Na altura, as caches eram ainda poucas no nosso país. «Passados alguns meses, era a segunda pessoa a descobrir cem caches em Portugal.» Motivo para uma comemoração, com o amigo Ma­nuel Antunes, 49 anos, conhecido como o «avô do geocaching», por ter sido um dos primeiros praticantes. A sul da Praia dos Coxos, o geólogo salta a vedação da escada que conduz ao areal, para trocar uma cache danificada por uma nova. Entretanto, recorda alguns dos seus melhores momentos. «Quando o meu fi­lho nasceu inscrevi-o logo no site inter­nacional. Tinha apenas dois dias de vida e foi comigo procurar a cache que, na altura, estava na Maternidade Alfredo da Costa», conta, entre risos. Já à beira do mar, são muitos os olha­res curiosos dos muggles (quem não pra­tica geocaching). Questão que parece não incomodar Luísa Santana, 43 anos, professora, que habitualmente joga em família. Com os filhos e o marido, procura caches em Portugal e Espanha. Trocou os passeios no centro comercial pelas cami­nhadas na natureza e confessa que «esta é uma oportunidade de conhecer sítios» que, de outra ma­neira, talvez nunca descobrisse.image thumb16 No trilho do tesouro

E a contemplar a Praia de São Lou­renço, sob a luz dourada do final do dia, que termi­na mais um Event Cache – com todos os «tesouros» en­contrados. E com o grupo a discutir já o próximo local a explorar.


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