Alcoolismo atinge cada vez mais jovens

Nos últimos 10 anos tem-se vindo a assistir a uma ruptura no padrão do alcoolismo. Há uma década os alcoó­licos dependentes tinham entre 40 e 50 anos de idade, enquanto que hoje estão na casa dos 20 ou 30 anos de idade. “Trata-se de um padrão de consumo que tem vindo. A ganhar cada vez mais adeptos e representa um grupo de jovens que, mesmo não ingerindo bebidas alcoólicas dia­riamente, começa a beber por volta dos 14 ou 15 anos de idade, quando sai à noite com o seu grupo de ami­gos”, refere Célia Franco, Psiquiatra do Centro Hospitalar Psiquiátrico de Coimbra. “Mesmo só bebendo aos fins-de-semana, quando consomem álcool estes jovens fazem-no em grandes quantidades e optam por bebidas muito graduadas, as cha­madas bebidas brancas, atingindo rapidamente valores de alcoolemia superiores a 0,8 gramas por decilitro, o que origina graves alterações ao nível do seu estado de consciência”, alerta a especialista. Ao contrário dos adultos de meia-idade, cujo históri­co de consumo de álcool se prende essencialmente com o consumo de vinho e de cerveja ao longo do dia e posterior adoecimento, sobretudo ao nível físico, com problemas gás­tricos, os novos alcoólicos não têm uma vida estruturada e uma perso­nalidadeimage definida, o que desencadeia graves lesões para a sua saúde men­tal. O álcool altera o funcionamento ao nível neurológico e pode resultar em psicoses e comportamentos desa­dequados, sobretudo ao nível familiar e profissional. De acordo com Célia Franco “este cenário é profundamente nocivo para o cérebro e para o bom funcionamento do organismo, para além de provocar alterações de com­portamento, que podem desencadear reacções de grande agressividade e violência. Além disso, com o tempo, estes jovens começam também a ter dificuldade ao nível da concentração, demonstrando muitas vezes desem­penhos académicos e profissionais abaixo das suas capacidades prévias”, acrescenta a psiquiatra, salientando que este é um quadro clínico cada vez mais frequente nos serviços psiquiá­tricos. Uma realidade que começa a ser comum tanto em rapazes como em raparigas, embora de acordo com a experiência pessoal de Célia Fran­co, no Centro Hospitalar Psiquiátrico de Coimbra, ainda apareçam “mais rapazes do que raparigas com estas patologias, sendo que a tendência é para que o número de raparigas nesta situação venha a aumentar nos próximos tempos”. De acordo com alguns estudos recentes esta é uma realidade transversal que aparece associada a várias sociedades, o que faz com que a própria Organização Mundial de Saúde (OMS) esteja preo­cupada com aquilo que parece ser um padrão generalizado de consumo de bebidas alcoólicas por parte dos Jovens. Célia Franco adianta contudo m que “o tratamento é possível, embora seja difícil e moroso. Por isso é que quanto mais cedo for diagnosticada a doença mais fácil será o seu trata­mento que, inicialmente, passa por uma desintoxicação, mas que depois implica também a reestruturação de toda a função psiquiátrica, psicológi­ca e social do indivíduo. Sempre que os pais se apercebam que os filhos chegam frequentemente alcoolizados a casa, devem ficar atentos, porque pode tratar-se de uma situação de risco, e procurar ajuda”. Por outro lado, o problema do alcoolismo entre os jovens, aparece muitas vezes associado ao policonsumo, ou seja, à dependên­cia de outras substâncias para além do álcool, tais como do tabaco e de algumas drogas, de que são exemplo o haxixe e a cocaína.

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